quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Ifa proibe o sacrifício humano. Ifa é contra o sacrifício humano


Orunmila declarou expressamente no Odu Ifa Irete meji que nenhum babalawo ou devoto de Ifa deve utilizar sangue de seres humanos como sacrifício. Neste post vou explicar o que aconteceu no Odu Ifa Irete meji, e o que fez Orunmila para declarar expressamente que nenhum devoto de Ifa deve envolver-se em sacrifício humano. Este Odu Ifa é um odu complexo porque lida com pelo menos três questões importantes. Uma delas é a prohibição de fazer sacrifício humano, a segunda é a prohibição da venda de outro ser humano para escravidão, a terceira é as vantagens de estar familiarizado com uma cultura e sua origem histórica. A parte deste Odu que vou falar hoje é a prohibição de fazer sacrifício humano, como foi declarado e comandado por Orunmila. Você terá que tomar o seu tempo a ler este post com cuidado. No Odu Ifa Irete méji Ifa disse:

 Ifa ni Ina o jo Kan omi oduro
 Igbin posese de idi iyo o peyinda
 Ka gbo riru ebo Ka ru
 Ka gbo titu etitu Ka tu
 Ka gbo okara ebo Ka ha dele kereke
 Babalawo Olumena lo difa fun olumena
 Nijo ti olumena yi o lo ra agburin leru


 Tradução

 Ifa disse
 Quando o fogo queimar até um ponto de água, ele para de queimar
 Quando um caracol chega até um ponto de sal, ele volta para tras
 O ato de executar o sacrifício requerido
 O ato de realizar a propiciação obrigatória
 O sacerdote de Ifa de Olumena
 Realiza a leitura de adivinhação de Ifa para Olumena

Um dia ele foi para Agburin (este é um tipo de antílope que, geralmente, têm marca branca no lado) como escravo.
Antigamente o antílope agburin era um ser humano, uma mulher muito linda e jovem. Em Oyo Atijo (a antiga Oyo, não a de hoje) havia uma família da dinastia de governantes e o omobakunrin (que é o príncipe) deles tinha o nome de Akere (é um anfibio, um sapo) e a omobabirin (princesa) chamava-se de Agburin (antílope).
Havia um homem chamado Olumena que se casou com Agburin. Exatamente após o terceiro dia de seu casamento, Olumena chamou os babalawo dele. O nome eram: Ina jo Kan omi Oduro (o fogo queima até um ponto de água, ele para de queimar), Igbin posese de idi iyo o pada (um caracol chega até um ponto de sal, ele volta para tras). Disseram a Olumena para oferecer sacrifícios para evitar futuras catástrofes no casamento.
Olumena escutou os babalawo dele que lhe forneceram os ingredientes necessários para o sacrifício. O babalawo realizou o sacrifício e esse foi bem sucedido; disseram a Olumena che a sua esposa Agburin ia ter filhos. Não muito tempo depois a esposa dele engravidou e deu à luz uma criança que foi chamada de Olumena, com o mesmo nome do pai. Olumena casou-se e deu à luz um filho chamado Olumebo, que por sua vez casar e deu à luz Orunmila (considere que o fato de Orunmila ter sido nomeado neste contexto, no Irete meji, ainda é objeto de investigação, mas não é o que eu estou discutindo hoje).
Quando Olumena envelheceu e morreu, Agburin (ainda muito jovem e bela) foi dada para Olumebo como herança; quando Olumebo morreu também, Agburin foi então dada a Orunmila; mas ela recusou-se a se casar novamente com Orunmila, e a razão disto era que ela estava envelhecendo também. Orunmila insistiu em casar-se com Agburin, pois ela era ainda muito bonita e atraente atraente. Orunmila acabou querendo essa mulher com a força e ele tentava todos os meios para obte-la. Ficou óbvio para Agburin que Orunmila não ia deixá-la em paz. Agburin embalou todos os pertences dela para fugir sem que Orunmila descobrisse, mas ele deixou o Apo Abira dele (a sacola com os itens de adivinhação) e Iwo Ase (corno), e começou a correr atras de Agburin. Ele disse as seguinte palavras:

 Omi inu igbo foju jo aro
 O fi oju jo aro  ko se re aso
 Omi odan fi oju jo adin
 O foju jo adin ko se Para
 Lo  difa fun oluigbo
 Nijo tan ni korubo
 Ki igbo re o ma ba jona  lodunyi
 O ko korubo
 A bu fun olu odan
 Won ni ki ohun na rubo
 Ki odan re maba gbe pa lodunyi
 A bu fun olusansan
 Won ni ki ohun na rubo
 Ki oma ba fi gbogbo ara da egbo
 Nijo ti agburin sa lati ko orunmila sile


 Tradução

  A água na floresta parece corante
  Mas não pode ser usada para tingir a roupa
  A água na Savana assemelha ao óleo de palma
  Mas não pode ser usada para ninguém como creme para o corpo.
  E' o babalawo que realiza a leitura da adivinhação de Ifa para Olu Igbo (um espírito que é rei da floresta)
  Ele foi instruído a oferecer sacrifícios
  De modo que a floresta não podia ser destruída pelo fogo este ano
  Ele não conseguiu realizar o sacrifício exigido
  O mesmo babalawo foi realizar a leitura da adivinhação de Ifa para Olu Odan (o espírito que é rei de todo o espírito na savana)
  Ele também foi instruído a oferecer sacrifícios de modo que sua savana não ia secar este ano
  Ele não conseguiu também realizar o sacrifício exigido
  O mesmo realizou a leitura da adivinhação de Ifa para Olusansan
  Ele foi obrigado a realizar o sacrifício exigido
  De modo que o corpo não ia ficar cheio de feridas e dolorido
  No dia em que Agburin (antílope)
  Estará fugindo de Orunmila.

Então, como eu disse anteriormente, Agburin começou a fugir de Orunmila, Orunmila também começou a procurar por ela.
O primeiro lugar onde ela foi pedir ajuda foi na morada de Oluigbo. Ela explicou tudo para Oluigbo e ele prometeu ajudá-la e garantiu que ia mantê-la longe de Orunmila se ele fosse procurar por ela. Quando Orunmila foi até Oluigbo procurando Agburin, Oluigbo afirmou que não tinha visto ela. Orunmila advertiu-o que, se ele não liberar Agburin, toda a floresta dele ficaria em chamas. Oluigbo ainda se recusou e disse para Orunmila que ele não podia fazer nada. Orunmila pegou o Ase e comandou que a floresta se incendiasse. E isto aconteceu imediatamente. Agburin correu para fora e chegou até Olu Odan que também concordou em ajuda-la e protege-la, depois dela ter explicado o que Orunmila tinha feito. Quando Orunmila veio para Olu Odan pedindo para Agburin, Olu Odan também se recusou. Orunmila o avisou que se ele se recusar a liberar Agburin ele ia secar a savana toda, mas Olu Odan pensou que Orunmila estivesse brincando e o provocou a fazer pior. Então Orunmila usou o Iwo Ase, encostou-o na boca e comandou que a Savana secasse. Isto aconteceu imediatamente. Então Agburin logo correu para Olusansan (que é o mato).
Quando Agburin correu à procura de segurança na moradia de Olusansan, Orunmila correu atrás dela e disse para Olusansan (espírito do mato) para liberar Agburin e entrega-la a ele, mas Olusansan recusou-se. Orunmila também comandou para o mato que perdesse abundância e segredo, e foi então que todas as plantas perderam imediatamente as suas cores e as folhas.
Foi depois disso que Agburin correu até o grande poço profundo de Ogan okiti (a boca do formigueiro) ao lado de uma árvore de Iroko, em busca de segurança.
Orunmila ainda correu atrás dela.
Ele começou a recitar:

 Agba okunrin gbon pipi nigba to gbo iro awon eleye
 Ti a ba le eran de ekuru se Lan deyin
 Awon lo difa fun ajigalorun
 Ti se omo omo oba Ido
 Lojo ti sunkun alairibi
 Lojo ti sunkun alairipon
 Woni ko karale ebo ni ko mase
 Woni ko ru ewure Merin, obidiye merin, abata okete ati opo owo fun babalawo
 Ko lo ru inu igbo igba na ni ire re de
 Ni you di oloko, yi odi olomon


 Tradução

 Um homem adulto fica em pânico ao ouvir o som das bruxas
 Quando o homem fraco atinge ao medo profundo, deverá voltar atrás para lutar
 São os sacerdotes de Ifa que realizaram a leitura com a adivinhação de Ifa para Ajigalorun
 Que era uma princesa da cidade de Ido
 Quando ela estava chorando porque não tinha marido nem filhos
 Ela foi instruída para oferecer sacrifícios com os seguintes itens
 Quatro cabras, quatro galinhas, um rato do mato, e muito dinheiro
 E tinha que levar tudo isso para a floresta ou no mato
 Eles disseram que é depois disso que ela irá ter marido e filhos
 Os babalawos disseram-lhe que ela encontraria o marido no local onde ela deixaria o sacrifício
 Que qualquer homem que ela encontraria nesta floresta irá ser o marido dela
 Esta mulher realizou o sacrifício exigido e o levou para a floresta profunda para deixa-lo atrás          da  árvore de Iroko.

Orunmila ainda era estava correndo atras de Agburin que tinha escondido a cabeça para dentro do formigueiro ao lado da árvore Iroko. Orunmila não conseguiu forçar Agburin (antílope) a sair do formigueiro de barro vermelho; ele fez um feitiço para fazer uma assinatura de Odu Ifa. O Odu Ifa que Orunmila fem em Agburin no corpo dela naquele dia foram: Ejiogbe, Oyeku méji e alguns Amulu Odu. Mas ejiogbe foi o mais claro.
Se você matar qualquer antílope até hoje você vai ver a marca de Ejiogbe claramente sobre o corpo do animal. Isso foi quando Orunmila foi incapaz de removê-lo do formigueiro de barro vermelho. Assim, Orunmila amaldiçou Agburin e fez ela se tornar um animal. Assim foi que Agburin se tornou um animal de Ogan okiti (formigueiro) e da árvore Iroko até hoje.
Se você verificar no corpo de qualquer antílope até hoje você vai ver o símbolo que Orunmila colocou no corpo dela. Especialmente o símbolo Ejiogbe é muito claro e eu posso confirmar, pois o vi em tres antílopes diferentes.
A mão de Orunmila tinha ficado presa no fundo do Ekiti Ogan (formigueiro) mas não passou muito tempo quando Orunmila viu uma jovem e linda princesa chamada Ajigalorun. Esta princesa tinha chegado ao local onde queria deixar o sacrifício. O babalawo tinha dito a ela que ela ia encontrar um homem no mato após o sacrifício e que aquele homem teria sido o marido que Olodumare tinha escolhido para ela. Esta princesa ajudou Orunmila, pois ele implorou-lhe para ajudá-lo a sair do formigueiro. Assim, a mulher tirou o proprio gele (o cachecol para cabeça) que é feito de aso etu, e é muito espesso. Ela jogou o gele ara baixo, para que Orunmila podesse agarrar-se e sair com a ajuda da princesa Ajigalorun... até que Orunmila saiu definitivamente para fora. Ele perguntou à mulher por que ela se afastou da cidade e trazia o sacrifício até esta floresta tão longe. A princesa explicou a situação para Orunmila, como ela não tinha marido e como ela era estéril. Orunmila disse que ela ia ter criança só se ela se casasse com ele. Ela concordou e levou Orunmila até o pai dela. Orunmila dormiu com ela naquela noite, mas como que ele era uma pessoa estranha, antes do amanhecer deixou Ido para voltar em Ile Ife, a moradia dele.
A mulher ficou grávida e deu à luz um menino. Orunmila não sabia que Ajigalorun estava grávida e nem veio saber que deu à luz o filho dele. Quando a criança estava com dezesseis anos de idade, começou a perguntar que era o pai dele. Ele exigia que a princesa Ajigalorun lhe falasse sobre o pai porque os seus colegas e amigos o chamavam de bastardo. A mãe do menino lhe disse que nem ela conhecia o homem que era o pai; so conseguiu descrever-lhe que ele era muito escuro na pele, mais do que qualquer homem que ela já viu, e no dia em que o conheceu, depois de ter ajudado ele, ela ouviou louvando-se desta forma:

 Emi
 Omo akala lo bi ejio
 Ojugbona lo bi oju kere
 Emi okunrin dudu oke Igeti
 Okinkin ti je kin eyin Erin o fon


Tradução

Sou eu
É Akala que gera Ejio
É Ojugbana que gera Ojeikere
Eu sou o homem escuro e complexo de Oke Igeti


Quando a mulher explicou isso para seu filho, o jovem decidiu que era preciso que dele encontrar o pai e disse que com essa descrição ia procura-lo. A mulher acrescentou que o homem com a qual teve relação sexual e a deixou gravida, vinha de Ile Ife Odaye.
Não muito longe desta ocorrencia houve um grande guerra e um ataque à cidade de Ido. Muitos jovens e viris foram capturados como escravos e entre estes, tinha também o filho de Ajigalorun: ele não foi uma exceção, foi pego como escravo e vendido a um comerciante de escravos em Oja Ejigbomekun em Ile Ife Odaye.
Naqueles tempos os sacerdotes usavam sangue de seres humanos para os sacrifícios: Orunmila queria fazer sacrifício para oke iponri dele. Ele mandou um de seus omo awo até o mercado de Ejigbomekun para que ele podesse comprar um escravo para  sacrificar a oke iponri para aquele ano. A pessoa que Orunmila mandou ao mercado comprou o filho de Ajigalorun que tinha sido capturado como escravo, levou ele para a casa de Orunmila para ser usado para propiciação.
O escravo foi preso com uma corda e ficou tres dias no porão da casa de Orunmila, na espera do dia do sacrificio chegar. O filho de princesa Ajigalorun começou a recitar o elogio de Orunmila como a mãe tinha ensinado. No sétimo dia, quando Orunmila estava prestes a sacrificá-lo, ele recitou o mesmo elogio. Orunmila logo pediu quem era a mãe dele e de onde ele tinha ouvido esse elogio. Ele disse para Orunmila que ele era o pai dele e a princesa Ajigalorun da cidade de Ido tinha ensinado. Orunmila rapidamente percebeu que este escravo era o seu próprio sangue e seu filho. Ele parou o sacrifício e ordenou ao omo awo de trazer uma cabra preta em substituição do escravo. Orunmila fez a declaração que a partir daquele dia qualquer seguidor de Ifa ou babalawo não devia usar sangue de seres humanos para qualquer sacrifício, mas deve estar usando uma cabra para o sacrifício para o Oke Iponri. A partir de então, tornou-se proibitivo para qualquer seguidor de Ifa sacrificar seres humanos. Ifa proibe o sacrifício humano.

Copyright: Babalawo Pele Obasa Obanifa, Contact: +2348166343145
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Location: Ile ife, Osun state, Nigeria.

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